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Emblema II – um espectáculo privado

Este trabalho está intimamente vinculado à revolução portuguesa de 25 de Abril de 1974 movendo-se através de experiências vividas por uma geração de pessoas que ainda não existiam em 74. Resiste-se ao nacionalismo propondo-se um ponto de vista completamente estrangeiro e afastado daquele a que vulgarmente se atende quando se chega perto desta data. Em Emblema II quanto maior a distância entre o espectador e o espectáculo melhor a fruição – talvez por isso haja uma insistência num espectáculo privado.

 

«Só entre nós será possível falar sobre o dia 25 em alemão, grego ou japonês. Só aqui entre nós é que podemos dizer que estamos cansados de saber como é que foi. O que significou e o que significa. Mas estar numa revolução, isso nenhum de nós sabe. Não temos ideia do que é um homem à espera de uma música para começar. Um cidadão que se apronta para morrer pela igualdade, fraternidade… “Não se consegue gravar uma revolução” porque não existe o tempo certo para a fazer, e hoje é difícil relacionarmo-nos com isso. O que é que aqueles homens fizeram entre a decisão de ir e o “depois do adeus”? Quanto tempo cabe nesse momento? Será que eles comiam e bebiam normalmente? Tinham medo? Fumavam compulsivamente? Não conseguimos imaginar. Desculpem. Nem tão pouco nos conseguimos lembrar. Se de fato recordar é viver então a revolução está morta, só aqui entre nós.

Resta-nos, portanto, um belo conto de fadas para ouvir pelo avô ao serão: “uma revolução onde se abate o regime com flores. Não se morre. Vivem os escóis, felizes, num museu cobertos pelas coroas de cravos já murchos.”»

 de Óscar Silva

Interpretação: Evi Kalogiropoulou | Georg Bütow | Óscar Silva | Soon Park.

Vídeo e fotografia: Sofia Sfyri

Participação especial: Grupo de Teatro da Universidade da Terceira Idade de Santarém

Teatro Sá da Bandeira, Santarém – Portugal